Ontem outra criança foi atirada do sexto andar de um edifício e morreu, só que desta vez aqui em Curitiba. Moramos no Brasil e nossa imprensa é repleta de idiotas da objetividade, além de absolutamente mercantilista, o que dá boas armas para profetas e enxeridos (como eu) preverem o futuro. Explico: segundo testemunhas, a mulher que jogou a criança, no caso a mãe, é uma tresloucada e sofre de depressão. Não nesses termos, é claro, mas é como se fosse. Então, num acesso de insanidade, ela pegou a filha de oito meses e literalmente a defenestrou. Quando a polícia chegou, a mulher simplesmente cruzou os braços para ser algemada e disse “sim, fui eu quem matou a pestinha”.

Agora a profecia: no que vai dar esse caso? Nada.

Não há mistério nessa história, e não ter mistério é algo que nossos jornalistas odeiam. Fica difícil, para eles, fazer uma novela com um caso onde todo mundo já sabe quem é a vítima e, principalmente, conhece o vilão. Isso vai ficar no noticiário por no máximo uma ou duas semanas, e apenas para reverberar os murmurinhos populares de revolta. Depois, como se nada tivesse acontecido, desaparecerá. Será botado nos arquivos da imprensa como tantos outros escândalos tão ou mais escabrosos do que esse.

Agora eu me pergunto: será que essa louca não fez isso porque se espelhou na história da menina Isabela Nardoni, tão amplamente divulgada e insistentemente romanceada pela mídia? Afinal ela poderia matar a criança de inúmeras formas diferentes, visto que a garota tinha apenas poucos meses. Caberia numa bacia ou num forno de assar sem o menor esforço, e ainda por cima assim ninguém ficaria sabendo. Mas não. Ela preferiu jogar a filha pela janela, como fizeram na TV. Ela queria ficar famosa, aparecer na Globo e em capas de jornal, mesmo que taxada de criminosa, assassina e o escambau.

Bem, ninguém pode dizer que ela não conseguiu.

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